08/11/2009

Série "Óia as praca!!!" - nº 1



Pode até parecer brincadeira, mas é comum encontrar essas "pérolas" por aí. De vez em quando, vou postar algumas para exemplificar o quanto as pessoas têm judiado da Língua Portuguesa.

Mas, reparem que o anunciante já está preocupado com as novas regras ortográficas, pois escreveu linguiça sem o trema (risos)... E se a linguiça for realmente boa, nem tudo está perdido.

Abraços!

01/11/2009

A nova ortografia nos jornais – acento diferencial



Na última postagem, caros leitores, falei sobre o sumiço do acento diferencial em várias palavras. Em algumas, penso que ele vai fazer falta... Como no caso de para (verbo) e para (preposição).

Agora, vejam, nesse exemplo, que o jornal escreveu da forma correta, mas concordam que ficou meio esquisito? Não seria melhor "interrompe evento"? Lembrem-se do quanto a nossa Língua é rica de sinônimos...

A minha sugestão é: façam da leitura um hábito (isso enriquece o vocabulário) e não hesitem em consultar um dicionário sempre que precisarem.

Abraços!

27/10/2009

De bem com a nova ortografia – acento diferencial



Prezados leitores, hoje tem mais novidade do acordo ortográfico: os acentos diferenciais desaparecem. Mas, não totalmente... Vou explicar.

Primeiro, vejam exemplos das mudanças:
  1. Pára (verbo) – Ex: Márcia, para de gritar!
  2. Pêlo (substantivo) – Ex: Não procure pelo em ovo.
  3. Pêra (substantivo) – Ex: Agora é época de peras.
  4. Pólo (substantivo) – Ex: Eles são “polos opostos”.
Porém...

Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é o passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo) na 3ª pessoa do singular. Pode é o presente do indicativo na 3ª pessoa do singular. Um bom exemplo: Ontem, ele não pôde viajar, mas hoje ele pode.

O acento também continua em pôr (verbo), diferente de por (preposição). Exemplo: Vou pôr o tempero na comida feita por mim.

Devemos, ainda, manter o acento para distinguir o singular do plural dos verbos ter e vir, além de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir, etc.). Seguem alguns exemplos:
  1. Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.
  2. Ele vem de São Paulo. / Eles vêm de São Paulo.
  3. Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.
Para finalizar, é facultativo o uso do “chapeuzinho” para diferenciar forma e fôrma. Mas, em alguns casos, ele confere mais clareza à frase. Por exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

Por enquanto, é só!

Até a próxima!

24/10/2009

Frota de caças

De vez em quando, recebo sugestões de postagens para o blog. Então, aqui vai uma sobre substantivos coletivos, sugerida pelo Philipe depois de ler uma matéria publicada na FOLHA DE S. PAULO com o título:

"FAB cria frota de caças para reforçar defesa da Amazônia"

O substantivo coletivo, todos se lembram, é aquele que indica diversos elementos de uma mesma espécie. Mas, nós não aprendemos na escola que o coletivo de elefante é manada, o de alho é réstia e o de avião é esquadrilha? Que história é essa de frota?

Após uma breve pesquisa, a explicação:

Coletivo de avião = esquadrão, esquadrilha, flotilha

E o substantivo "frota" pode designar: navios, aviões ou veículos em geral (ônibus, táxis, caminhões, etc.).



É isso!

21/10/2009

A palavra é: BALELA

Caríssimos, na postagem do último dia 16, consta que o professor Evanildo Bechara chamou de “balela” as críticas ao acordo ortográfico.

‘A palavra “balela” é um substantivo feminino que, possivelmente, tem sua origem na junção de “bala” com o sufixo “-ela”. O termo designa uma mentira, um boato; uma notícia, declaração ou afirmação falsa.

Definição do “iDicionário Aulete”: (ba.le.la) sf.

1. Pop. Afirmação, declaração ou notícia falsa; dito sem fundamento; BOATO; MENTIRA
[F.: Posv. de bala + -ela]’

Fonte: www.aulete.com.br (Palavra do dia)

Até a próxima!

19/10/2009

"La Negra"

A postagem de hoje não é sobre a língua portuguesa. Quero homenagear aqui uma mulher extraordinária, que soube quebrar as barreiras do idioma e nos encantar com sua música e talento singulares. Essa mulher faleceu no dia 4 de outubro, aos 74 anos de idade, e se chamava Mercedes Sosa.

Mercedes nasceu no noroeste da Argentina e sempre foi uma defensora da integração dos povos da América Latina. Era ativista do “peronismo de esquerda” e acabou sendo presa durante um concerto em La Plata no ano de 1979. Banida no seu país, ela resolveu se refugiar em Paris e em Madri.

Só voltou à Argentina em 1982, pouco antes do colapso do regime ditatorial após a fracassada Guerra das Malvinas, e fez vários shows em Buenos Aires. Em seguida, gravou duetos e fez turnês pela Argentina e no exterior.

Apelidada de “La Negra” por causa da ascendência ameríndia, ficou conhecida como a voz dos "sem voz".

Aumentem o som, caros leitores, e assistam ao vídeo a seguir. Será difícil não se emocionarem com a beleza das vozes de Mercedes Sosa e Milton Nascimento... Preciso dizer mais?



Abraços!

16/10/2009

Bechara defende o Vocabulário Ortográfico

Caros leitores, parece que as pessoas não estão muito receptivas à nova ortografia, o que é bastante compreensível... Afinal, vamos ter que reaprender a escrever muita coisa. “Reaprender”, no entanto, é uma palavra que continuará a ser escrita assim mesmo, tudo junto (conferi no VOLP).

Leiam, agora, uma matéria publicada na Folha de S. Paulo, com a opinião do único representante da Academia Brasileira de Letras no recente Acordo Ortográfico.

"O linguista e acadêmico brasileiro Evanildo Bechara, responsável na Academia Brasileira de Letras pelas novas regras, qualificou as críticas de "balela" e disse que hoje "é moda falar mal do acordo". Afirmou à Folha que as manifestações são "coisa de quem quer ter os seus cinco minutos de fama" e que "está convicto do sucesso da reforma".

Bechara não aceita as críticas contra a edição de um Vocabulário Ortográfico pela ABL, sem a participação dos outros países lusófonos. "Quem diz isso não leu o artigo 2º [do acordo de 1990]. O que se fala sobre isso é uma mentira, as pessoas usam esse artifício para fazer críticas ao acordo. A decisão da ABL de publicar o "Volp" está de acordo com a reforma, isso é um jogo baixo."

O artigo diz que "os Estados signatários tomarão, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração (...) de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas".

Segundo Bechara, a edição brasileira não "atropela" a publicação comum e faz somente a normatização de "terminologias científicas e técnicas, como a geográfica", sem interferir nas normas do acordo. "Isso [o movimento contrário em Portugal] não vai dar em nada. Esse acordo é entre governos, nasceu das academias."

Para Bechara, "essa mania portuguesa de subscrever documento e memorial sobre ato do governo a respeito da ortografia é coisa antiga". Ele cita polêmicas que aconteceram desde a reforma de 1911, "um testemunho centenário".

O linguista português António Feliciano critica a supressão das chamadas consoantes mudas ("c" e "p" em posição final de sílaba gráfica). Para o português, "esta injustificada supressão tem consequências desastrosas para a norma europeia. Destrói dígrafos (grafias compostas por duas letras) como "ac" ou "ec" em centenas de palavras e aumenta exponencialmente o número de palavras graficamente irregulares".

Bechara rebate a crítica. "Em todas as reformas há os que concordam, os indiferentes e os inimigos. Eu prefiro a audácia dos portugueses do século 16 aos de hoje que estão atrás de uma consoante que não se pronuncia e não tem valor linguístico."

Fonte: jornal Folha de S. Paulo - 6/8/2009

Abraços!

12/10/2009

Errando e aprendendo...

Recentemente, aconteceu um episódio envolvendo a Sasha, filha da Xuxa, que acabou gerando muitos comentários no twitter. Ao falar sobre um filme que estão gravando, a garota disse que teria de fazer uma “sena com a cobra” e errou ao escrever a palavra com “s”. É claro que houve muitas críticas ao fato. Xuxa se irritou com os comentários e não quis deixar barato: explicou que Sasha havia sido alfabetizada em inglês e, por isso, se confundiu. E não parou por aí... Disse que eles (os leitores) não mereciam falar com ela e nem com a filha, dando a entender que sairia do twitter. Apelou mesmo! Um fã soube do ocorrido e resolveu gravar o vídeo "Mexeu com a Xuxa, mexeu comigo!" em defesa da "rainha dos baixinhos"... Depois disso, outros vídeos pipocaram na internet, mas, dessa vez, não tinham a intenção de defender a apresentadora, mas de zombar da atitude apaixonada do rapaz. E pensar que tudo isso começou por causa de um pequeno erro ortográfico...

Na semana passada, também no twitter, a ex-BBB Milena Fagundes corrigiu William Bonner, editor-chefe e apresentador do "Jornal Nacional”, que escreveu a palavra ia com acento agudo na letra “i”. Bonner, bem-humorado, admitiu o erro e disse que era "velho e analfa". E para encerrar o episódio de forma criativa e inteligente, fez uma piada imitando “Seu Creysson”, personagem do "Casseta e Planeta": "Seu dotô, num cei ukideu nimim. Iscrivinhei ia com assentchu. É gráviu?"

Caros leitores, viram como duas histórias semelhantes podem ter desfechos diferentes? É claro que devemos ter cuidado na hora de escrever. E não esquecer de fazer a revisão do texto. Já disse aqui e repito: isso é controle de qualidade.

Mas não vamos deixar que o medo de errar nos tire o prazer de escrever. Afinal, a imperfeição faz parte da natureza humana. Quem é que nunca errou? Nessas horas, ter jogo de cintura e uma boa dose de humor ajuda e muito. Pode até evitar que uma falha boba e irrelevante tenha uma dimensão desnecessária, como no caso da filha da Xuxa.

Parabéns ao William Bonner que soube sair muito bem de uma “saia justa” sem perder a classe...

Abraços!